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A confusão entre dificuldades e transtornos de aprendizagem é frequente. Porém, uma análise mais estruturada é fundamental, alterando formas de intervenção e prognóstico do caso

O desempenho escolar é uma preocupação constante para os pais, professores e alunos, uma vez que, além do crescimento acadêmico, está em jogo também a auto estima, planejamento do futuro e relações sociais do estudante. Esse processo nem sempre é fácil, e muitas vezes pode apresentar-se comprometido, seja por dificuldades ou pelos transtornos de aprendizagem.

Entender qual é a limitação presente na aprendizagem prejudicada é fundamental para a escolha da melhor intervenção e, consequentemente, para melhores resultados. Mas como diferenciar dificuldades na aprendizagem de transtornos de aprendizagem?

As dificuldades de aprendizagem englobam um variado grupo de problemas que podem alterar as possibilidades do aluno aprender, nem sempre relacionada com sua condição neurológica. Nesses casos, tais interferências partem de questões que podem incluir fatores familiares, fatores da própria escola ou fatores particulares do aluno. Esses últimos tratam-se de: problemas físicos (alterações visuais, auditivas, etc.), condições de saúde (doenças crônicas, hipotireoidismo, anemia, etc.) ou mesmo problemas psicológicos (baixa motivação, ansiedade social, insegurança, etc.).

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O desempenho escolar pode sofrer interferência de quadros psicopatológicos, como o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), transtornos do espectro autista (TEA), deficiências intelectuais (DIs), transtornos de ansiedade, transtorno opositivo desafiador (TOD), dentre outros. São ainda fatores do aluno que podem comprometer os estudos: seu ciclo do sono, seus hábitos de estudos, uso de drogas, etc. Já os fatores referentes à família, que afetam a aprendizagem da pessoa, são: estressores no ambiente familiar, hábitos de leitura, condição socioeconômica, etc. E devem ser considerados ainda os fatores da escola, como: condição pedagógica, material didático, número de alunos por turma, condição do corpo docente, etc.

Já os transtornos de aprendizagem pressupõem alterações neurológicas nos circuitos cerebrais específicos de aprendizagem, dificultando habilidades como a escrita, leitura ou raciocínio lógico-matemático. São exemplos a dislexia e discalculia. Eles se apresentam desde estágios iniciais da alfabetização e não dependem de fatores externos para comprometer o desenvolvimento escolar. Nos transtornos de aprendizagem, a pessoa apresenta como sintoma a leitura de palavras de forma imprecisa ou lenta e com esforço, dificuldade para compreender o sentido do que é lido, dificuldades para ortografar, comprometimentos na expressão escrita, dificuldade para dominar o senso numérico e dificuldades no raciocínio.

Sendo assim, a principal diferença entre eles está no fato de dificuldades de aprendizagem estarem condicionadas a fatores externos, que interferem no desempenho na escola, enquanto os transtornos de aprendizagem são alterações neurológicas que afetam áreas especificas relacionadas à aprendizagem.  As avaliações neuropsicológicas são muito importantes no mapeamento desses comprometimentos e na diferenciação entre as dificuldades e os transtornos de aprendizagem

As dificuldades de aprendizagem necessitam de intervenções que buscam trabalhar os fatores desencadeantes e, se realizadas satisfatoriamente, a dificuldade diminui de modo significativo. Já as intervenções para os transtornos de aprendizagem são realizadas diretamente nas habilidades nas quais o aluno tem dificuldade, usando estratégias e métodos de ensino que ajudem na compensação das limitações decorrentes do transtorno.

A busca pela avaliação e ajuda adequada para cada caso pode ser o fator crucial para diminuir o comprometimento na área e evitar perdas mais significativas a longo prazo. Todos os aspectos (cognitivos, sociais, ambientais e psicológicos) devem ser levados em consideração e trabalhados para um melhor desenvolvimento do aluno. Profissionais de diferentes áreas, como neuropsicologia, psicologia, fonoaudiologia e psicopedagogia, em um trabalho interdisciplinar, são considerados as melhores indicações para casos de atrasos no desempenho escolar.

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